quinta-feira, janeiro 12, 2012

Os Franksteins do Metal

If could take my wasted days back, would I use them to give back on track?

Monstro de Frankstein


Essa frase da música "Frantic" do álbum St. Anger do titã do Heavy Metal METALLICA é a introdução perfeita para o assunto. Grandes bandas, com carreiras de sucesso e, legiões de fãs ao redor do globo consolidaram suas carreiras com bons álbuns e músicas de qualidade, geralmente são pioneiras dentro do subgênero do qual fazem partes, num dado momento de suas carreiras essas bandas acabam lançando álbuns que destoam completamente de qualquer coisa que já tenham feito, ou simplesmente perdem misteriosamente a qualidade, e é desse fenômeno que vamos falar hoje: os Franksteins do Metal.

Na década de 1980 o METALLICA se consolidou como uma das maiores bandas de todos os tempos (não só dentro do Heavy Metal), mas na década de 1990, após o lançamento do famoso "Metallica" ou Black Álbum, como preferem os indoutos, a banda entrou numa nova fase, cortando os cabelos e "amenizando" drasticamente o peso em suas músicas lançando os criticados "Load" e "Reload", depois disso já nos anos 200o veio o que, para muitos fãs, era o decreto do "final" (em termos de qualidade) da banda: "St. Anger", com um timbre de bateria mais do que estranho que tempos depois veio a ser explicados pelo baterista Lars Ulrich como uma nova afinação que ele estava testando para a bateria, o álbum perdia em qualidade mesmo em relação a "Load" e "Reload", a falta de solos e dos riffs densos e pesados irritou os fãs, muito do que há em St. Anger está relacionado com a fase difícil (emocionalmente) pela qual passava a banda, principalmente James (Hetfield) que lutava contra o vício do álcool. St. Anger pode ser considerado como um desabafo.

Lulu


Pulando já para a segunda década dos anos 2000 nos deparamos com Lulu, que após o bom "Death Magnetic" veio para despertar a ira dos fãs, embora nesse caso a parceria na minha opinião chata entre METALLICA e LOU REED não deva ser totalmente crucificada já que este não é um álbum do METALLICA e sim um "projeto paralelo".

Avantasia (Foto de divulgação)


Em meados de 2000 o vocalista Tobias Sammet da banda alemã EDGUY agraciou o mundo com "AVANTASIA - THE METAL OPERA I" que de pronto subiu as primeiras posições das paradas Europa afora, e pouco menos de dois anos depois viria a parte dois, com grandes nomes do cenário como Michael Kiske, Kai Hansen, Alex Holzwart, Sharon den Adel entre outros, AVANTASIA se tornou um nome reconhecido em todo o mundo, mas alguns anos depois foi lançado "The Scarecrow", que a meu ver é um ótimo álbum, com canções bem construídas e uma bem feita mescla de Heavy Metal e Hard Rock, com passagens épicas como a faixa título, e esse álbum embora destoasse drasticamente de seus antecessores manteve um bom nível de qualidade, algo que não aconteceria com seus sucessores "Angel of Babylon" e "Wicked Symphony"

Tobias Sammet

Os álbuns soam feitos "por fazer" e perdem muito em qualidade em relação ao seu antecessor "The Scarecrow", as faixas são um Hard Rock igual a muita coisa que se vê por ai, com exceção de algumas músicas como "Death is just a feeling" e "Wastelands".
No embalo do AVANTASIA também podemos citar o EDGUY.

Edguy


O EDGUY foi, e ainda é, extremamente ousado. Após se tornar uma das referências em se tratando de Power Metal com álbuns como "Theater Of Salvation", "Mandrake", "Vain Glory Opera", "Hellfire Club", e os projetos "Avantasia partes I e II", Tobias Sammet decidiu arriscar e jogar todas as cartas sem pensar nas consequências. Em janeiro de 2006 depois do tão elogiado "Hellfire Club" (2004) , o EDGUY lançou o fraquíssimo "Rocket Ride". Um álbum recheado de músicas "Happy Happy" e perdidas entre o Hard Rock e o Power Metal sem se enquadrar em nenhum. Não bastasse o teste de "Rocket Ride" que deixou muitos fãs com aquela "pulga atrás da orelha" lançaram o catastrófico "Trinnitus Sanctus" (2008). "Trinnitus Sanctus" é o que melhor define disco Frankstein, não se enquadra em nada. Não é Hard, não é Metal, muito menos Rock'n Roll Clássico. Nesse experimento há até uma participação (acreditem!) da banda de Indie Rock THE KILLERS.
Depois de feita a tragédia a banda tentou justificar dizendo às mídias que aquilo era o que eles estavam querendo fazer e ninguém tinha que falar nada e blá, blá, blá... Mas o que acontece é que perderam muitos fãs com os experimentos de Tobias Sammet refletindo na tentativa de voltar aos velhos tempos com "Age Of The Joker", que é um bom álbum de Hard, mas ainda está longe daquilo que o EDGUY já foi um dia.


Helloween


Outro ícone de peso do Heavy Metal que digamos, arriscou demais, foi o HELLOWEEN. Todos sabem que na história do HELLOWEEN já houve experimentos ousados, hora criticados e hora consagrados como "Pink Bubbles Go Ape" e "Chameleon", "Better Than Raw" e "The Dark Ride". "Pink Bubbles Go Ape" é um álbum que divide opiniões. É um álbum extremamente bem estruturado e com faixas de altíssima qualidade, mas o que desperta a ira de muitos é que a banda (que vinha do topo com os Keepers Of The Seven Keys) investiu em um som mais marcado e calmo, um hard bem próximo do AOR com pouquíssimas passagens de Heavy Metal Melódico. Seguindo os experimentos lançaram "Chameleon" e aí foi onde "chutaram o balde". "Chameleon" traz uma atmosfera meio new wave, pop e totalmente fora dos padrões do HELLOWEEN. Musicalmente é um disco maravilhoso, mas que não deveria ter sido lançado por uma banda já ícone do Heavy Metal. Em "Better Than Raw" e "The Dark Ride" os experimentos foram benéficos, acrescentando bastante peso á banda, mas em 26 de Dezembro de 2009 o HELLOWEEN lançaria aquilo que poderia ter sido o fim: "Unarmed".



Depois de muitos anúncios a respeito de um álbum de comemoração de 25 anos, com novas versões de clássicos da banda, os fãs já esperavam algo como "Blast From The Past" do GAMMA RAY, em que Kai Hansen regravou faixas originalmente cantadas por Ralph Scheepers. Mas isso não aconteceu. O que chegou às lojas foi um álbum totalmente desnecessário com versões desgastantes de músicas que levaram a banda ao topo (em minha opinião pessoal, foi até uma falta de respeito da parte do ditador Michael Weikath com os seus ex parceiros de banda Kiske, Kai e Schwichtenberg). Uma versão acústica num estilo "pop rock" da veloz Eagle Fly Free, I Want Out começando com um refrão de crianças e seguindo outra "pop version". No geral o álbum é fraquíssimo e musicalmente falando os arranjos são bons, mas para artistas como BRUNO MARS, ou qualquer outro do pop, jamais para uma banda de Metal e com o peso do HELLOWEEN.

Por André Walker e Gus Todengel


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