quinta-feira, janeiro 12, 2012

Floor Jansen - Uma mulher de talento

Há por ai uma centena de bandas com vocais femininos, e uma centena de vocalistas que são absolutamente iguais em todos os aspectos no que se trata, tanto de técnica quanto de abordagem para os vocais. Algo que me irrita, particularmente, é o uso excessivo, constante, dos vocais absolutamente líricos. Semana passada eu inclusive comentava com meu parceiro de site (Gus) que se você colocar três cantoras líricas uma ao lado da outra cantando, e puser uma venda nos olhos, dificilmente vai poder afirmar com certeza qual é qual... Tudo fica muito parecido, e em muitas bandas, sinfônicas ou não, que têm vocal feminino as vocalistas em questão têm apenas um recurso: o canto lírico, elas dificilmente se saem bem no vocal popular ou mais Heavy, puramente ditos, e esse é o diferencial de Floor Jansen.


Floor Jansen




Desde os tempos de AFTER FOREVER a cantora utiliza os vocais líricos, mas também usa com grande qualidade vocais mais rasgados, agressivos e mais populares. Provavelmente um dos segredos do sucesso do AFTER FOREVER tenha sido justamente essa versatilidade. Outro ponto a ser ressaltado é que ela é multi-instrumentista, além de cantar Floor toca piano, guitarra, e flauta além de ser orquestradora e professora de canto, fato raro dentre as vocalistas, que em sua maioria se dedicam exclusivamente aos vocais.



Geralmente os fãs de bandas de Gothic Metal tem certa aversão ao canto popular, mas é notório e inegável o fato de que a variação na abordagem vocal, principalmente nesse estilo é essencial para que haja criatividade nos trabalhos, inovação... Não é possível fazer álbuns diferenciados se os vocais soarem idênticos em todos eles, é impossível fazer isso! No caso NIGHTWISH por exemplo eu fui um grande defensor da escolha de uma vocalista não lírica, isso foi extremamente benéfico para a banda e deu a Tuomas a possibilidade de viajar um pouco mais, e a meu ver Dark Passion Play e Imaginaerum são viagens musicais muito mais intensas e complexas do que os álbuns anteriores, que embora fossem de grande qualidade tinham neles um estilo já um pouco "batido".




Mas voltando a Floor...
O álbum de estréia do REVAMP (novo trabalho da vocalista) é uma mostra de que a versatilidade e a capacidade de usar diferentes abordagens vocais é importante para o desenvolvimento de uma banda ou artista, além é claro de outros fatores. Algo que chama a atenção no REVAMP é a forma inteligente e bem dosada com que as orquestrações são utilizadas. Orquestrações exageradas cheias de pompa são enjoativas e soam sem sentido, claro, grandes clássicos de bandas como RHAPSODY (não gosto de usar aquele "...OF FIRE"), EPICA, enfim são baseados em orquestrações, mas não se pode abusar delas, eu sou fã de música inteligente, muitos fãs de Heavy Metal são "puristas" demais e acabam não aceitando bem determinadas inovações, mas isso é necessário, e quando falo de música inteligente quero dizer que experimentações são válidas, mas contanto que não sejam fora de propósito e desmedidas, a inteligência da coisa está em evoluir sem destruir o passado, ou melhor construir novas bases no futuro usando o passado como "rascunho" e respeitando-o.







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